quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Amalia Giacomini - vazio inventado


Hoje fui à Itaipava, aquela da infância distante, do jardim gramado, da piscina-Cazuza, da sinuca-streape-tease, da lareira-pitoresca, da boêmia-Circo Voador. Não da minha, mas de meus pais. Andei bastante e não cabiam as ruas. E sempre sobrava uma e mais uma e mais uma e outra assim. Na verdade, não era Itaivapa, era a rua João Borges na Gávea.

Exposição : Amalia Giacomini – vazio inventado

Galeria : Mercedes Viegas | Arte Contemporânea

Local : Rua João Borges, 86, Gávea, Rio de Janeiro

De 2 a 28 de agosto de 2010

Cheguei à porta da galeria, e não havia placa e nenhuma indicação. Respirei fundo e apertei o interfone. Minha voz tremeu um pouco, galeria sempre representa o medo da rejeição. Seremos bons o suficiente para adentrar aquele espaço? O melhor é não pensar, e entrar logo. Fui apresentada à Mercedes Viegas. Ela deixou-me muito à vontade. E a partir de então, pude fluir.

Olhei as peças e não entendia. Buscava e buscava e não entendia. Resolvi ceder espaço ao tempo. Bem devagar, comecei a sentir remorso, abandono, uma solidão controlada, algo sutil, e até mesmo bom. Como se eu visse alguém partir, deitada, jogada no chão e dali pudesse ver apenas as linhas do assoalho.

Mas depois, não aguentei e sai correndo. As linhas horizontais tornaram-se as linhas do muro. As setas no chão indicavam o caminho, caminho do corpo, corpo este preso, amarrado por pontos certos, ferindo a carne, puxando e esticando, buscando ser jovem novamente.

É aéreo, vejo além. E criam imagens-cores do além, além-ser, além-montanha, além-pensamento. Bem depois do que se poderia seguir, indicando o lugar, este lugar nenhum. Lugar meu, de todos, do meu coração, do meu corpo sem fim no seu espaço sem limites com limites, sem vasão me invadindo, evasivo. Discutindo o meio, a áurea, a alma, fecho com rigor. Deixo para trás meu campo pictórico de um espaço virtual e vou embora. Cerro a janela e fujo. Deito no chão e vejo você partir, sem caminho, sem destino. Adeus!

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