segunda-feira, 21 de junho de 2010
Sou rasa
sábado, 12 de junho de 2010
Menino do metrô

Hoje me emocionei com uma pequena cena pequena. Após trabalhar o dia todo, peguei meu metrô de Botafogo para Ipanema. Minha cabeça doía um pouco, talvez pelo frio bizarro nesse Rio de Janeiro dos sempre 40˚C. Eu nem mesmo sabia muito bem para onde olhar, e fiquei tentando segurar minha cabeça com cara de boba, os olhos fechando.
Na minha frente, havia um garoto. Devia ter seus 20 e poucos anos. Tinha um brinco na orelha esquerda de pedrinha branca, a pele era morena, cabeça raspada. E apesar de estar arrumado, era fácil perceber que ele era um trabalhor, ou não.
Com seus braços, ele segurava uma mochila da Nike preta com 3 zipers, brilhante. E cada vez mais, ele abraçava e apertava aquele pedaço de nylon. E foi aproximando de seu rosto com tanto carinho e tão disfarçadamente que parecia querer beijar os lábios da mochila. E foi chegando mais próximo. Quando percebi que ele fechou os olhos com delicadeza e juntou seu nariz no preto do objeto e respirou contente e relaxado o aroma da mochila.
Foi então que percebi, pendurada nela, havia uma grande etiqueta laranja e enorme. Sim, a mochila da Nike era nova, era o cheiro do novo, e apenas ele poderia dizer o quanto havia trabalhado e feito sacrifícios para ter aqueles pedaços de nylon com brilho. Não era um objeto, era o sonho, o prazer, uma delíicia.
O trem parou na General Osório, e todos desceram. Levantou-se, com calma, colocou o aparato em suas costas, como não
faria nem com a mulher dos seus sonhos.
E seguiu orgulhoso. Contente, satisfeito, dono de si.
Talvez tenha sido um presente do dia dos namorados, dela para ele ou dele mesmo. E sim, não mentirei, hoje também darei um grande presente para mim. Darei uma dose de wisky com uma pedra de gelo e uma hora de leitura. Ah, que felicidade. Então, assim, poderei seguir contente e satisfeita e dona de mim tal como o menino do metrô.
Feliz dia dos namorados para todos.
quarta-feira, 9 de junho de 2010
Caledoscópio de FAMÍLIA

Qual é o sentimento adequado para uma hora de colisão ? O que devemos pensar e quando devemos agir, ou não ?
Uma vez quebrado, o encantamento torna-se nulo, faísca morta em madeira.
Senti-me nula e zonza. Tonta de raiva misturada com desespero e até um pouco de orgulho. O sentimento de não entender querendo continuar no escuro para não enxergar que os errados somos nós mesmos. E quando o sofrimento invade de tal forma seus pensamentos e veias que, até seu baço responde negativamente em uma sessão de acupuntura de quarta-feira após trabalho.
E a certeza prazerosa de saber que depois disso tudo, você poderá ouvir de forma sonolenta as conclusões filosóficas de um querido professor.
É vazio, é constrangedor ter que retomar todo o carinho perdido. Desculpe-me se digo : talvez sou culpada de tão inocente que quis querer ser. E não continuarei indagando minhas reações, pois, estas são mais obscuras que minha própria visão da realidade. São como imagens sobrepostas vertiginosas querendo alcançar minha alma partida e perdida em algum lugar qualquer.
Hoje, fico só, apenas com algumas ideias bobas, um nariz escorrendo e um trabalho sobre Lucas Nascimento. E viva a complexidade das tramas de tricô.
sexta-feira, 4 de junho de 2010
You gonna make me lonesome when you go
Não seria uma má ideia transformar toda essa filosofia de vida em um amor de vida. O passado garante nosso futuro e eu espero firmemente alguém para “light up my life”.
O que seria a ilusão passageira de duas pessoas que se debatem em espasmos esperançosos? Eu sonho, idolatro o conhecimento. Diplomas? Não são eles, eles apenas provam, é como uma ficha criminal do bem.
Eu resolvi seguir distante e não pude. Fui puxada para linha de fogo, e tivemos nosso primeiro encontro secreto, nosso primeiro toque, ali, assim, na frente de todos. Ele chamou-me para dançar com palavras e imagens. E deixamos a valsa cantarolar em meio a cadeiras feias e luzes claras.
O cenário é algo de Madeleine Peyroux e Chet Baker. Mistura suave e dançante. Apenas com muitas testemunhas. E ninguém viu nada, testemunhas cegas. Ninguém ouviu nada, testemunhas surdas. E eu ali, eloqüente e apaixonada., consegui manter contato visual com o mito. Este que saiu de dentro da caverna apenas para me ver passar. Deixou para trás suas pedras e tudo mais, apenas para me ver voar.
“Don´t cry, cry baby, there is no one but you”.
terça-feira, 1 de junho de 2010
Lucas Nascimento Verão 2011

Lucas Nascimento impressionou, mas não pelo seu desfile sem graça. E sim pelo seu expertise.
domingo, 23 de maio de 2010
Montjuic
E se eu parar e pensar em tudo o que li há pouco. Na verdade, eu parei. Tenho medo de admitir que sim, fiquei desnorteada, perdi o sono, e queimei a banana caramelada. Fui ao Facebook deletar Bruno Santracroce da minha lista de amigos. Ele não era meu amigo. Entreguei alguns dos meus medos à ele, meu corpo também, meus beijos e minhas suavidades. Deixei um pouco da minha saúde naquelas quimbas de cigarro caro do El Corte Inglês. Não seria justo, seria ? eu não sabia.
Eu não consegui deletar. Todos tem motivos pelos quais agem de certa forma. Não que eu possa compreender tudo, entretanto, percebi que tudo muda, que eu não sei o que acontece nos quatro cantos do universo, que eu não sinto tudo do mundo, que eu simplesmente, existo singular e isolada como todos os outros. Minha dor é só minha.
« Nao é por nada nao Aninha, mas vc me inspira!!! To pensando em ti direto!!!” e recebi esta mensagem às duas da madrugada, horário de Brasília.
Estava muito sol, verão na Catalunia. Barcelona é solar, é clara, é antiga, como se existisse um filtro âmbar por sobre as paisagens. Eu andava em direção ao Castelo de Montjuic.
- Oi, licença. Você sabe como eu chego ao Castelo? – eu perguntei à única pessoa naquela ladeira.
- Eu estou indo para lá também – ela respondeu com um sorriso.
Uma russa, parecida com uma matrioska, mas fashion. Fomos até o Castelo conversando sobre nossa viagens. Ela também estava fazendo um mochilão. Falávamos de como é impossível entender o inglês dos ingleses, de como ficávamos mais caçadoras quando sozinhas, de como era legal andar por aí sem saber o que iria acontecer, das baladas, dos homens, das roupas.
E quando percebemos, estávamos na frente do Montjuic. Não sabíamos se era necessário comprar ingresso ou não. Entramos em uma sala de informação, e haviam três homens. E eles falavam português. Um estava sentado à mesa e parecia trabalhar lá. Era mais velho, talvez uns 40 anos, mas ainda bonito. Os outros dois eram bem diferentes um do outro. Um, bem alto, com blusa sem mangas. O outro, parecia ou designer, ou músico, ou poeta. Vinha em uma bermuda, camiseta e umas bolsas e pochetes amarradas nele. Haviam cachos por toda parte em sua cabeça e eu senti vontade de fazer cafuné.
Conversamos todos, rimos, e os três eram incrivelmente gentis. Eu quis abraçar os três. Descobri que os dois que não haviam nada um com o outro eram irmãos. Na verdade, eles tinham, ambos eram amáveis. E não importava jamais o que seus sinais externos gritavam, eles eram homens, bons homens.
Tiramos uma foto, os dois, eu e minha queria russa. Eu queria me apaixonar por Tiago. De qualquer forma, eu não o veria mais. Nunca mais. E também não estava muito preocupada com isso.
Eles iam para Paris no mesmo dia, eu iria daqui há 4 dias. Pediram-me indicação de albergue e eu dei o telefone do que eu ficaria mais tarde. Não trocamos e-mail, nem nenhum contato. Éramos viajantes. E pronto.
quinta-feira, 8 de abril de 2010
Miami rocks I
Eu estava suando. Eu estou sempre suando em aeroportos. Não sei se é o excesso de bagagem ou a adrenalina. Quem sabe com o tempo eu consiga traquilizar-me. Olhei em volta e havia tanta gente ao meu redor. O aeroporto de Miami não é tão grande, mas é confuso. Era a minha primeira vez viajando sozinha, sozinha de verdade. Em Houston, eu tinha o tio Marcelinho esperando-me de pick-up no Baggage Claiming. Desta vez, eu tinha apenas minha vontade de me divertir. E eu não estava tão certa assim quanto à isso.
Eu tinha duas malas enormes com uma etiqueta de « Cuidado, objeto extremamente pesado ». Claro que estava escrito em inglês, e a frase sempre fica menor e mais compreensível que em português. Compreensível é engraçado, pois é bem maçante.
Deixei os dois pesos mortos no guarda-volume. E agradeci bastante ele aceitarem meu cartão de crédito. Do contrário, ganharia um problema pois foram 100 dólares para deixar as duas malas lá. Quase a mesma coisa que paguei para eu ficar a semana no albergue. Pensar sobre este fato deixava-me completamente assutada.
Há dois meses, antes de vir para os Estados Unidos, eu havia assistido « O Albergue ». Um filme de mau gosto do Tarantino. Digo de mau gosto porque eu estava na situação. Mas assistam, eu adorei o filme. Adorei porque ainda não sabia que ficaria em um albergue em Miami. Eu estava sozinha com uma pequena mala cheia de roupas lindas, um Angel, uma sandália Carmem Steffens e dois colares de cristal. Completamente pronta para todos os pecados que minha cidade natal poderia me trazer.
South Beach representava muito mais que uma semana de férias para mim, seria minha primeira vez na cidade onde eu havia nascido. Segunda vez, para melhor dizer. A primeira foi quando nasci. Que redundante.
Peguei as malas enormemente pesadas, coloquei-as no carrinhos e rodei atras de um guarda-volume. Fiquei indecisa. Deixei-as lá. Eu já contei isso, não é mesmo ? estou reduntante, estou contundente, estou confusa. Na verdade, eu estava sentindo-me completamente sozinha e com um pouco de vontade de chorar. E ao mesmo tempo, completamente livre.
Peguei minha pequena bagagem de mão Liz Clairbone, e segui super sofisticada, super sexy, querendo desfrutar do direito de ser mulher que havia me sido concedido por 7 dias em Miami Beach.
Andei até a saída, e ganhei um belo problema. Eu não sabia chegar ao albergue e eu sabia estar bem longe. O aerporto era em Miami, eu precisa ir para South Beach. Que maçada.
Eu tinha algumas opções : super shuttle, ônibus, táxi. Pensei primeiramente no ônibus. Eu só tinha 200 dólares para a semana inteira. É muito pouco. Não dá segurança, fiquei com medo. Cheguei perto do ônibus, eu sei que o motorista me viu mas arrancou com pé pesado no acelerador. E eu fiquei ali parada com minha malinha azul cheia de rímel nos olhos, tão lindinha e infantil.
Voltei e falei com o moço da van. Eram mais de 20 dólares para levarem-me ao albergue, entretanto eles deixariam-me na porta do lugar. Fazer o quê. Paguei e fiquei ali esperando minha vez. Quando a van chegou, depois de uns 20 minutos, eu entreguei minha mala para o motorista que acomodou-a gentilmente no porta-malas e eu sentei satisfeita no meu banco macio.
Era um final de tarde tão agradável, estávamos no inverno mas na Flórida o sol é gentil e dá as caras mais facilmente. Ele vem abençoar as pessoas que querem divertir-se e nos faz sentir acompanhados. A solidão passa longe, deve ter pego um jatinho para Nova Iorque. Lá sim, lá é possível sentir-se só.
Eu nunca havia estado naquela cidade, a não ser na barriga da minha mãe, ou no colo dela. Todavia, olhava as palmeiras tão retilínias e esquias e lembrava das fotografias que havia visto, e de tantas histórias que havia ouvido. Elas já faziam parte de mim. Encostei minha cabeça no banco e fui deixando-me levar por aquelas belas cores do pôr-do-sol. Era o tom da adrenalina e do conforto : quente e excitante.
Eu havia visto lindas fotografias do albergue. Havia um bar, as cervejas mais baratas de Miami. Foi assim que meu pai escolheu o lugar. Depois ele diz que eu bebo muito. Talvez ele só queria economizar.
A van parou.
-Ana Carolina, este é a sua parada. – o motorista desceu, pegou minha mala e eu fiquei ali parada por dois segundos na frente daquele buraco escuro e todo descascado.
Foram 120 segundos eternos e eu olhando para aquele corredor aterrorizante. Respirei bem fundo e segui pelo escuro. Eu sabia, eu não voltaria viva daqueles sete dias. Eles iam me violentar, esquartejar, degolar, arrancar meus cabelos.
- Pára, pára de pensar merda. Se é pra morrer, morre com coragem e feliz, porra ! – isso foi minha conciência falando. Normalmente, ela é mais rascante que eu. Mas eu a perdoo.
Entrei na recepção do albergue e havia um lindo sofá amarelo gema de ovo. E não vi nenhuma faca, arma ou corrente. Talvez eu não fosse ser assassinada. Eu estava preparada ou não para falar.
- Oi, meu nome é Ana Carolina Malveira Ferreira. Eu fiz reserva para uma semana. – e fiquei ali esperando.
O moço mandou-me para um quarto muito pequeno com umas 6 camas. Era caustrofóbico. Sentei na cama que seria minha. Olhei para o lado e havia uma garota gorda e baixa, ela estava com roupas que eu não usaria nem para ficar em casa. Ela olhou para mim com olhos gentis e puxou conversa.
Ela falou de onde era, mas eu não prestei atenção. Ela estava ali para procurar emprego, ela tinha cara de fome. Então, tive um clique e lembrei que meu pai havia feito reserva para um quarto com 4 camas e não 6.
Desci as escadas correndo e falei com o moço. Era verdade. Sobi correndo novamente e pequei minha pequena mala. Segui para o quarto ao lado. Apenas 4 camas, 2 beliches. Yes ! Bem melhor. Talvez não tão melhor. Haviam duas alemães nas camas de cima. Elas tinham uma cara apavorante. Eu fiquei com medo daquelas caras brancas e fechadas. Elas nem mesmo falaram comigo. E tinham lindos notebook no colo. E eu com medo de roubarem meus sapatos. De uma certa forma, relaxei.
Arrumei minhas coisas e fui à CVS comprar cadeados para o armário. Comprei os únicos que tinham. E acreditem, eu fiquei com vergonha, pois eles eram muito grandes. Coloquei somente o dinheiro, os sapatos, os perfumes e os brincos no armário. Eu fiquei com uma das camas de cima, o que causa certo desconforto para mim ter que subir. Fiquei imaginando eu chegando de madrugada.
Organizei a mala como mamãe ensinou. Separei duas produções para cada dia, uma para a praia e outra para a balada ; assim não perderia tempo pensando em qual roupa usaria. Com já estava noite, peguei o modelito noturno e fui tomar um banho. Eu precisava tirar aquele suor todo do meu corpo e liberar geral.
Ali, naquela cidade, eu não era ninguém, era invisível, e sozinha. A Ana Bacana havia ficado em Franca, 3 meses atrás. E eu, definitivamente, queria fazer amigos. Cologuei minha necessaire pendurada em algum lugar e liguei o chuveiro.
O banheiro não era tão mal e eu estava preparada para o pior. Haviam uns tablados no chão como nas academias de ginastica. Uns espelhos quebrados e a janela dava para um terreno baldio. Comecei a molhar-me, a água era gentil com meu corpo. E eu relaxei excitada com o pequeno cartaz que havia lido na porta do banheiro. Haveria uma festa com bebidas liberadas somente para pessoas do albergue. Era uma excelente estréia, não é mesmo ?
Olhei pela fresta da cortina e vi uma garota com rabo de cavalo comendo iogurte. Ela entrou no banheiro com a colher na boca. Eu tenho certeza que era de morango. Mesmo que não fosse, nos meus sonhos seria morango. E ela estava com um agasalho com a bandeira do Brasil.
- Ei, você vai na festa hoje ?
- Sorry ?
- Sorry, I thought you were Brazilian. – ela era espanhola, talvez fosse até melhor. Eu não posso dizer que tenha sido amor à primeira vista, mas um impacto. Eu não sou lésbica, okay ?
Tomei banho na velocidade da luz, e encontrei com ela ainda olhando-se no espelho. E perguntei novamente se ela iria à festa. Ela disse que sim. Vesti-me com capricho, afinal, era minha noite de estréia e eu precisava arrasar.